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Botucatu

Estudo da Unesp ajuda a reabilitar pacientes pós AVC

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Estudo acaba de ser publicado em uma das mais importantes revistas científicas do mundo

Um estudo clínico pioneiro, criado e desenvolvido por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Unesp, campus de Botucatu (FMB), tem chamado atenção da comunidade científica internacional e surge como uma alternativa promissora para melhorar a evolução clínica de pacientes vítimas de Acidente Vascular Cerebral (AVC) que apresentam Negligência Espacial Unilateral.

Essa condição, resultado de um déficit neurológico comum em lesões do hemisfério cerebral direito, leva a pessoa a ter dificuldade para perceber estímulos sensoriais e sensitivos provenientes do hemicorpo esquerdo (braço, perna e campo visual), prejudicando muito a qualidade de vida e reduzindo a possibilidade de uma reabilitação adequada.

A relevância do tema motivou um grupo de pesquisadores da FMB, em meados de abril de 2015, a propor um estudo sobre os efeitos da estimulação elétrica transcraniana na recuperação sensorial de lesões provocadas pelo AVC. A técnica se utiliza de eletrodos não invasivos e indolores, que estimulam a reabilitação motora de braço, perna e visual do lado esquerdo do corpo.

Denominado Trial de Neuro Reabilitação e também conhecido como Eletron Trial, o projeto foi idealizado pelo médico neurologista e professor Rodrigo Bazan, do Departamento de Neurologia, Psicologia e Psiquiatria da FMB; pelo fisioterapeuta Gustavo J. Luvizutto, pós-doutorado em Neuroestimulação pela FMB e atualmente professor do Departamento de Fisioterapia Aplicada da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e pelo estatístico Hélio Rubens de Carvalho Nunes, do Escritório de Apoio à Pesquisa (EAP) e docente do programa de pós-graduação do curso de Enfermagem da FMB.
Em 2017, a fisioterapeuta Taís Regina da Silva, do setor de Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) foi incorporada ao grupo de trabalho, como aluna do programa de pós-graduação de Fisiopatologia em Clínica Médica, tendo o Trial como objeto de sua pesquisa. O projeto também levou ao pós-doutorado de Luvizutto e foi determinante nos rumos de sua carreira acadêmica.

Como foi

Todo o planejamento metodológico do Trial foi desenvolvido pelo estatístico Hélio Rubens, ligado ao EAP/FMB. A aplicação da estimulação cerebral se deu através do couro cabeludo do paciente, na área lesionada pelo AVC. Os participantes foram inicialmente recrutados na Unidade de AVC do HCFMB e nos ambulatórios de neuro vascular sendo, posteriormente, encaminhados ao setor de reabilitação para avaliação inicial por meio de escalas específicas.

Após a triagem, os indivíduos foram convidados a participar do estudo e encaminhados a Unidade de Pesquisa Clínica (Upeclin) da FMB para aplicação da estimulação cerebral pela equipe de reabilitação envolvida. Todos os pacientes receberam fisioterapia convencional e foram acompanhados nos ambulatórios após o término do estudo.

Realização

Pouco mais de sete anos após sua idealização, o Eletron Trial acaba de ter os resultados publicados na revista Annals of Neurology, uma das mais importantes publicações de neurociências do mundo, com alto fator de impacto (11,5). O estudo demonstrou que pacientes submetidos a estimulação elétrica transcraniana por corrente contínua associada a um protocolo de reabilitação tiveram uma evolução 30% superior aqueles que se limitaram ao tratamento convencional.

“Nós vimos que com a neuromodulação, o ganho da fisioterapia foi acelerado. Funcionalmente, percebemos uma melhora no estado de saúde do paciente no que se refere a parte motora, permitindo independência para se alimentar, para se vestir, para marcha. O resultado é visível e bastante promissor”, afirma Taís Regina.

O Trial possibilitou à fisioterapeuta o primeiro contato com a neuromodulação, através de treinamentos na USP de São Paulo e de Ribeirão Preto. Os conhecimentos adquiridos foram incorporados a sua prática clínica. Segundo ela, o convite para desenvolver o trabalho de doutorado nessa área foi ao mesmo tempo gratificante e desafiador. “Quando o Dr. Bazan e o Dr. Gustavo me ofereceram como um projeto de doutorado eu fiquei muito honrada. Por se tratar de um estudo grande confesso que também fiquei um pouco assustada. Mas foi, acima de tudo, um privilégio fazer parte do grupo que desenvolveu o Trial. Tivemos muitas dificuldades ao longo do caminho. Aprendi muito, tanto na parte da pesquisa quanto na parte clínica. E, ao final, ter o estudo publicado em uma revista de alto impacto, comprova a relevância do trabalho, que se iniciou em Botucatu mas foi multicêntrico. Esta publicação tem um peso muito grande para meu currículo profissional como pesquisadora”, avalia.

O rigoroso protocolo criado para o desenvolvimento da pesquisa, combinado com um público extremamente fragilizado e dependente, aumentou ainda mais as dificuldades inerentes a um projeto inovador como o Eletron Trial. “O protocolo era bem pesado. A maior dificuldade foi o acesso à reabilitação. A maioria dos participantes dependia de condução para trazê-los até aqui. Como são dependentes precisavam de um acompanhante também. Essa foi uma das principais barreiras. Eram quinze sessões tendo que vir duas vezes por semana. Foram selecionados inicialmente quarenta e cinco pacientes. Alguns faleceram, outros desistiram do estudo, mas acabamos atendendo mais de cinquenta. É uma alegria poder reabilitá-los. É o combustível para a nossa profissão”, destaca Taís.

Sonho acadêmico

Desde a graduação, o fisioterapeuta Gustavo Luvizutto se dedica à reabilitação de pacientes com AVC. Ao longo de anos pôde observar que indivíduos com negligência espacial tinham uma recuperação prejudicial em relação a outros pacientes, com maior tendência a ficar em cadeira de rodas ou acamados. “A ideia desse estudo foi justamente encontrar novas estratégias de reabilitação que tivessem impacto positivo na recuperação desses indivíduos. Na última década, junto com o Dr. Rodrigo Bazan, desenvolvemos uma linha sólida de reabilitação após AVC e esse Trial foi a idealização de um grande sonho acadêmico. O estudo abriu portas para me tornar docente universitário, além de ampliar minha rede de pesquisa no assunto, possibilitando coordenar pesquisas com parcerias nacionais e internacionais”, revela.

Questionado sobre o significado da publicação do estudo em uma revista científica tão importante, Luvizutto ressalta que o reconhecimento da comunidade científica internacional passa pelo crivo de trabalhos em periódicos de alto impacto. A publicação na Annals of Neurology, segundo ele, consagra anos de parcerias científicas e de assistência com qualidade a pacientes com AVC. “Essa publicação permitirá o engajamento do grupo de pesquisa com grupos no exterior e possibilitará futuras parcerias de pesquisas com objetivo de encontrar terapêuticas cada vez mais eficazes para aumentar a recuperação em nível de atividade e participação de pacientes com AVC. É imperativo que utilizemos cardápios de intervenções de reabilitação baseadas em evidências e adequadas para a nossa realidade. Assim, poderemos impactar drasticamente a qualidade de vida de milhões de pessoas com AVC”, afirma.

Oportunidades

Para o professor Rodrigo Bazan, o Eletron Trial já pode ser considerado um marco na reabilitação pós-AVC no Brasil, por se tratar de um estudo de alto impacto, capaz de produzir desdobramentos positivos na área de reabilitação neurológica e com possibilidade de se transformar em uma opção terapêutica para os pacientes, já que se utiliza de uma técnica de baixo custo, segura, relevante e com base científica caminhando para comprovar sua efetividade.

“É um trabalho baseado em neuromodulação cerebral, técnica que estimula os neurônios da área afetada pelo AVC melhorando a rede neuronal e usando a plasticidade cerebral para o indivíduo se recuperar mais rápido. O AVC é uma doença devastadora, uma das principais causas de mortes no país e seguramente uma das principais causas de incapacidade no mundo. Quando desenhamos um estudo audacioso, que mostra que uma técnica simples, aliada ao treinamento adequado de profissionais que trabalham com o assunto pode impactar positivamente na vida do paciente e de sua família, é gratificante demais”, declara.

Estimativas apontam que a síndrome de negligência espacial unilateral atinge cerca de 30% dos indivíduos com AVC do Hemisfério Cerebral Direito e pode ser persistente em até 75% desses pacientes em uma fase crônica. Porém, esse número tende a ser ainda maior devido a alta subnotificação, já que muitos casos não são identificados nos serviços de urgência e emergência.

“O grande problema é que muitas vezes a negligência não é avaliada pela equipe clínica. Por não ser um déficit diretamente de linguagem, de visão e da fala, ele pode passar desapercebido. No Trial eram aplicados testes específicos para graduação da negligência e avaliação de maneira bem detalhada. Muitas vezes, na prática clínica, há dificuldade em aplicar esses mesmos testes num cenário de urgência e emergência. Esse déficit interfere nas atividades de vida diárias, no relacionamento, aumenta riscos de queda, dificuldade na reabilitação. Tem um impacto grande na vida do indivíduo se não for reconhecido prontamente e estabelecida a estratégia adequada de tratamento para esse paciente”, adverte Bazan.

Segundo o docente e pesquisador, o Eletron Trial trouxe ganhos para vários setores do HC e da FMB já que ao longo dos anos envolveu alunos de pós-graduação, doutorado, pós-doutorado, equipe da área multiprofissional, da reabilitação, além de vários apoiadores. Além disso, o estudo também foi determinante para sua própria evolução acadêmica. “Para mim, como pesquisador e um dos idealizadores do estudo foi uma oportunidade enorme de conviver com as pessoas, aprender com esse mundo da pesquisa baseada em evidência. E em termo acadêmicos eu diria que foi decisivo para minha evolução profissional. Recentemente fiz a defesa de minha livre-docência e o Eletron Trial foi uma das peças fundamentais para que eu tivesse destaque em meu memorial, no meu currículo e na minha estrutura de progressão acadêmica”.

Futuro

No seu entendimento, as conclusões positivas obtidas a partir do Trial justificam a continuidade dos estudos tentando avaliar os desfechos a longo prazo dos pacientes que sobreviveram ao AVC e passaram pela estimulação. Para Bazan, é preciso investir em pesquisas capazes de oferecer novas ferramentas para que o processo de reabilitação seja mais ágil e efetivo.

“A marca do AVC é a incapacidade. O indivíduo está bem e horas depois está com déficit que pode determinar o restante de sua vida e de sua família. Quando você reabilita esse paciente e o traz de volta com possibilidade de sociabilizar com a família, voltar ao ambiente de trabalho, isso é maravilhoso. Essa técnica, usamos em um cenário específico. Ela pode ser reproduzida em outros cenários possivelmente. Já temos estudos na literatura mundial mostrando melhora no equilíbrio, melhora na força, na marcha, até na visão. Tudo que nós queremos é que o paciente seja reabilitado após um evento traumático como o AVC”, comenta.

O apoio e a estrutura disponibilizados pela FMB e pelo HCFMB também são apontados por Bazan como determinantes para o sucesso do estudo. Ainda assim, o docente costuma dizer que fazer pesquisa no Brasil, por si só, já é uma grande vitória. “O Trial envolveu muita superação e mostrou que é possível fazer pesquisa de qualidade no país, mesmo com baixo recurso. Quando as pessoas têm boa vontade, têm foco no que estão fazendo, é possível. Isso ficou evidenciado para mim e vou guardar pelo resto da minha carreira acadêmica. Fica evidente também que quando você tem um projeto bom e bem feito, os órgãos de fomento enxergam e financiam”.

Ao recapitular os últimos anos dedicados ao Eletron Trial, Bazan conclui que o estudo é um atestado de resiliência. “Para quem gosta de pesquisa é um caminho difícil, árduo, mas que traz muitos benefícios. Para a equipe envolvida, em termos de capacitações técnicas. Para os pacientes, com potenciais benefícios para o futuro. E para a instituição por trazer um alto nível de excelência. É especial ver um grupo de mais de trinta pessoas envolvido por cinco ou seis anos com um projeto, se doando em finais de semana, feriados, trabalhando arduamente. O reconhecimento da relevância desse trabalho coroa todo esforço dessa equipe ao longo dos últimos anos. É uma retribuição para a FMB, para o HC, para os pacientes e todos que acreditaram nesse projeto”, conclui.

Parcerias

O Trial de Neuro Reabilitação recebeu financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e CNPq. A concretização do projeto teve entre os apoiadores: Escritório de Apoio à Pesquisa (EAP-FMB), Setor de Reabilitação do HCFMB, Unidade de Pesquisa Clínica (Upeclin/FMB), Disciplina de Neurologia Clínica (FMB), Unidade de AVC (HCFMB), Rede Nacional de Pesquisa Clínica em AVC, Empresa Proibras (sr. Flávio Wallis); Professora Adriana Bastos Conforto (USP/São Paulo), Professora Taíza Elaine Grespan Santos Edwards e Professor Octávio Marques Pontes Neto (USP/Ribeirão Preto), Luan R. Aguiar dos Santos e Diandra B. Favoretto, alunos de pós-graduação (USP/Ribeirão Preto), Dr. Vitor Mendes Pereira, neurocirurgião do Toronto Western Hospital (Canadá) e ex-aluno da neurocirurgia da Unesp/Botucatu, além dos pacientes que se dispuseram a participar do estudo.

Para acessar a íntegra do estudo publicado na revista Annals of Neurology clique aqui.

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Botucatu

Sebrae-SP leva capacitações de inclusão produtiva a Botucatu 

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Proposta é promover autonomia e fortalecer a autoestima dos participantes
O Sebrae-SP de Botucatu está realizando uma série de palestras e capacitações voltadas aos assistidos e às equipes do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPs AD) do município. A iniciativa integra o Programa de Inclusão Produtiva e tem como objetivo ampliar oportunidades de geração de renda, desenvolvimento pessoal e inserção no mercado de trabalho.
Na última terça-feira (10/2), os participantes acompanharam uma palestra sobre Comunicação, expressão e assertividade, conduzida pelo facilitador Denis Cristiano Amaral. A atividade trouxe reflexões sobre a importância da comunicação e que ser assertivo não significa apenas expressar opiniões, mas também ouvir e entender os outros.
De acordo com a analista de negócios do Sebrae-SP e responsável pelo Programa de Inclusão Produtiva, Geovana Annelli, a proposta é promover autonomia e fortalecer a autoestima dos participantes. “O Sebrae acredita que o empreendedorismo pode ser um caminho de transformação. Quando falamos de inclusão produtiva, estamos falando de dar ferramentas reais para que essas pessoas possam reconstruir suas trajetórias com dignidade e perspectiva de futuro”, destaca.
O paciente J. M. C. O. de 21 anos, relatou que a atividade foi marcante. “Foi bastante reflexivo. O palestrante fez perguntas sobre nossa história e nossa vida. Isso abriu a visão e trouxe ideias de novas oportunidades”, contou.
E. L. R. A., de 33 anos, que já atuou como eletricista e hoje trabalha com câmeras e alarmes, também destacou o impacto da capacitação. “Aprendi bastante sobre focar nos nossos conhecimentos e construir projetos. Mexo com artesanato e isso me deu ideias muito boas. Estou animado”, afirmou.
H.M.N. reforçou a importância do encontro. “Trouxe novos conhecimentos, ajudou a traçar metas e deu incentivos para seguir em frente.”
Para o facilitador Denis Cristiano Amaral, o empreendedorismo é uma porta para renda e propósito. “A comunicação é uma habilidade muito exigida no mercado. Quem se comunica melhor amplia suas oportunidades, tanto nos relacionamentos quanto nos negócios”, explicou.
A enfermeira do CAPs AD, Renata Branco Gusmão, ressaltou a relevância da parceria. “Trabalhamos a reabilitação social para que os pacientes ocupem seus espaços na sociedade. Eles enfrentam muitas dificuldades na capacitação. Com o apoio do Sebrae, começamos a construir caminhos para inseri-los na vida laboral e tem a oportunidade de empreender. Já percebemos mudança no interesse e na participação.”
A iniciativa segue com novas oficinas e temas voltados ao desenvolvimento de competências pessoais e profissionais, com foco em médio e longo prazo na geração de renda por meio do empreendedorismo ou inclusão dessas pessoas no mercado de trabalho.
O Escritório Regional do Sebrae-SP em Botucatu atende 18 municípios (Quadra, Pratânia, Itatinga, Porangaba, Avaré, Paranapanema, Pereiras, Anhembi, Torre de Pedra, Areiópolis, Botucatu, Conchas, Laranjal Paulista, Jumirim, Pardinho, Arandú, São Manuel e Bofete.
Mais informações: Rua Doutor Costa Leite, 1570. Telefone: (14) 3811-1710 ramal 2.

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Botucatu

Sebrae-SP reconhece professora de Botucatu com projeto sobre patrimônio histórico e empreendedorismo infantil

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Ana Paula dos Santos representa a rede municipal de ensino com projeto que alia protagonismo estudantil, criatividade e empreendedorismo em sala de aula

 

A etapa estadual do Prêmio Educador Transformador, promovido pelo Sebrae Nacional, em parceria com o Instituto Significare e apoio do Consed, Undime e Movimento Profissão Docente, reconheceu a educação de Botucatu com uma importante indicação. A professora Ana Paula dos Santos, com 24 anos dedicados ao magistério, foi selecionada para representar o município na etapa estadual da premiação – que valoriza projetos educacionais inovadores com foco no desenvolvimento de competências empreendedoras.

 

O projeto inscrito foi desenvolvido ao longo de 2025 com uma turma de 3º ano do Ensino Fundamental da rede municipal de ensino. Com o tema “Conhecer, Amar e Preservar os Patrimônios Históricos”, o trabalho envolveu cerca de 30 alunos com idade entre 8 e 9 anos e promoveu atividades práticas de investigação, visitas técnicas, produção de protótipos, criação de materiais visuais e rodas de conversa — tudo baseado nas metodologias empreendedoras do Sebrae e no uso do Design Thinking em sala de aula.

 

“Utilizei as ferramentas do Sebrae desde o início do ano letivo. À medida que percebi o quanto elas contribuíam para tornar as aprendizagens mais significativas, fui aprofundando o uso. A Jornada do Educador Transformador foi fundamental para organizar esse processo e colocar os alunos no centro de tudo”, destaca a professora Ana Paula. “O reconhecimento com a indicação é muito especial. Mostra que todo o trabalho, construído com tanto carinho e dedicação, teve impacto real. Ver os alunos criando, propondo soluções e se sentindo capazes de transformar o mundo ao redor é a maior conquista”, completa.

 

O projeto teve como resultado a criação de um Totem Interativo sobre os patrimônios históricos da cidade, que ficará disponível para toda a comunidade escolar. Entre os resultados observados estão: maior valorização da história local, desenvolvimento de habilidades como criatividade, comunicação, senso de pertencimento, e o fortalecimento do protagonismo infantil.

 

A iniciativa contou com o envolvimento direto de famílias, comunidade escolar e apoio das Secretarias Municipais de Educação, Cultura e Turismo.

 

“A professora Ana Paula trabalhou de forma esplêndida com os alunos, aliando criatividade com empreendedorismo. Hoje vemos as crianças pensando em profissões, em criação de negócios e entendendo o empreendedorismo como opção de vida”, ressalta Cristiane Messias, coordenadora pedagógica da Secretaria Municipal de Educação.

 

Para o gerente regional do Sebrae-SP em Botucatu, Eduardo Nascimento de Jesus, a indicação da professora é um reflexo do trabalho contínuo que o Sebrae vem realizando com a rede municipal. “Estamos celebrando aqui soluções aplicadas em sala de aula com impacto direto na vida dos alunos e das famílias. Em 2025, mais de 4 mil estudantes do ensino fundamental foram impactados com ações de educação empreendedora em Botucatu. É a prova de que despertar o comportamento empreendedor desde cedo gera cidadãos mais autônomos e preparados para o futuro.”

 

O Líder de Operações Regionais do Sebrae-SP, Victor Ebúrneo, reforça que a proposta é criar caminhos reais para que as crianças desenvolvam competências para a vida. “Com a educação empreendedora, os alunos aprendem desde cedo sobre como criar soluções, trabalhar em equipe, gerir recursos e até gerar renda. Estamos criando possibilidades para que essas crianças sejam protagonistas das suas próprias histórias — e empreendedoras de sucesso no futuro.”

 

A participação de Ana Paula no prêmio segue agora com a entrega do relatório final até o dia 20 de dezembro, encerrando a etapa estadual. Os projetos classificados seguirão para a etapa nacional, com divulgação prevista para o dia 16 de fevereiro de 2026.

 

“O Sebrae tem como objetivo levar conhecimento prático e transformar realidades. A indicação da professora Ana Paula é motivo de orgulho para toda a equipe”, afirma Renato Lisboa, gestor de educação do Sebrae-SP em Botucatu.

 

O Prêmio Educador Transformador é uma das principais iniciativas de valorização da inovação pedagógica no Brasil, e reconhece professores da educação básica, técnica e superior que constroem experiências que desenvolvem o empreendedorismo como atitude e prática pedagógica.

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Botucatu

Sebrae reúne 120 produtores rurais em encontro em Botucatu

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Com mais de 120 participantes, evento marcou o encerramento das ações de 2025 no setor agro com conteúdo técnico, lançamento de programa e valorização da produção local

O Sebrae-SP realizou no dia 17 de dezembro, no espaço Villa Blues, em Botucatu, o Encontro de Produtores Rurais, evento gratuito que reuniu 120 participantes entre agricultores, pecuaristas, empreendedores rurais e lideranças do setor. A iniciativa foi promovida pelo Escritório Regional de Botucatu e celebrou o encerramento das atividades do ano no setor agro com uma programação de alto nível técnico, troca de experiências e valorização do trabalho no campo.

Ao longo da tarde e início da noite, o público participou de palestras com especialistas de renome nacional, assistiu ao lançamento do programa Empretec Rural 2026 e teve a oportunidade de interagir com outros produtores em um ambiente pensado para conexão, inspiração e geração de oportunidades.

Conteúdo transformador e práticas de sucesso 

A abertura ficou por conta do engenheiro agrônomo, professor da Unesp e consultor da revista Globo Rural, Dr. Chukichi Kurozawa, que abordou os desafios da agricultura moderna e apresentou estratégias para alcançar alta produtividade com qualidade, sustentabilidade e lucratividade.

Na sequência, os facilitadores Renato Ferraz e Julio Oliveira conduziram a palestra “A Chave do Sucesso no Campo: Comportamento”, voltada ao desenvolvimento do perfil empreendedor entre os produtores. Com exemplos práticos e uma abordagem interativa, a dupla mostrou como atitudes e decisões conscientes fazem a diferença no dia a dia das propriedades rurais.

“Esse encontro foi pensado para valorizar o produtor rural, aproximar o Sebrae do campo e mostrar que o conhecimento técnico aliado ao comportamento empreendedor pode transformar realidades. Trouxemos nomes que são referência e construímos um ambiente de troca genuína entre quem vive a realidade do agronegócio”, destacou Eduardo Nascimento Jesus, gerente regional do Sebrae-SP.

 

Lançamento do Empretec Rural 2026 

 

Um dos destaques do evento foi o lançamento oficial do programa Empretec Rural 2026, versão voltada exclusivamente ao agronegócio do tradicional seminário comportamental do Sebrae. O projeto já impactou centenas de produtores em edições anteriores e promete seguir como uma das principais estratégias de formação empreendedora no campo.

“Mais do que falar de produtividade, é essencial tratar da atitude empreendedora no agro. E o Empretec Rural é uma ferramenta poderosa para isso. Quem participa, volta com uma nova visão sobre gestão, planejamento e tomada de decisões”, explicou o consultor do Sebrae-SP, Leandro Ribeiro, especialista em agronegócio no Escritório Regional de Botucatu.

Celebração, conexão e valorização 

Além do conteúdo técnico, o encontro promoveu um espaço de celebração do fim do ano, com jantar de confraternização, depoimentos de produtores da região sobre suas trajetórias empreendedoras e uma exposição com venda de produtos locais, reforçando o compromisso do Sebrae-SP com a valorização da produção rural de Botucatu e região.

“Foi uma oportunidade para aprender, mas também para celebrar as conquistas do ano, trocar experiências e fortalecer nossa rede de produtores rurais. Momentos como esse mostram o valor do campo para a economia e para o desenvolvimento sustentável do município”, avaliou o consultor Leandro Ribeiro, que atua diretamente com os produtores da região.

Educação empreendedora no campo – O encontro também reforçou o compromisso do projeto Botucatu Empreendedora AGRO, parceria entre o Sebrae e a Prefeitura de Botucatu, que busca ampliar o acesso à formação, inovação e tecnologias para pequenos e médios produtores rurais da cidade e região.

“Nosso foco é criar soluções práticas, de fácil aplicação, para que o produtor rural tenha autonomia e visão empreendedora. Com conteúdo de qualidade, metodologia aplicada e proximidade com o produtor, estamos fortalecendo o campo com conhecimento”, completou Victor Eburneo, líder de operações regionais do Sebrae-SP.

O evento fechou o ciclo de ações do Sebrae-SP no agro em 2025 com satisfação, casa cheia e perspectivas promissoras para 2026. O próximo passo será a execução das turmas do Empretec Rural, novas capacitações e o fortalecimento contínuo da cultura empreendedora no campo.

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