Na América Latina, região que ainda convive com altos níveis de pobreza e desigualdade, 2017 foi um ano de dificuldades, mas com viés de melhora. Segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), as projeções econômicas estimam um crescimento da região de 1,2% para este ano, em um aumento impulsionado pela produção de matérias-primas.
No plano político, a crise na Venezuela continua e as relações entre os Estados Unidos e Cuba retrocederam após a assunção ao poder do republicano Donald Trump, que revisou várias das medidas de distensão adotadas para a ilha pelo seu antecessor Barack Obama. E vários países sofreram turbulência por causa da crise deflagrada com as revelações de corrupção envolvendo a construtora Odebrecht, o que levou à prisão de autoridades.
Argentina
Passados dois anos de sua chegada ao poder, 2017 foi o ano no qual o presidente Mauricio Macri viu a vitória dos governistas nas eleições legislativas de outubro, o representou um ganho de fôlego para a segunda metade do mandato, que será marcada pela presidência argentina do G20 em 2018. Apesar de polêmica e de protestos contrários, a reforma da Previdência foi aprovada em dezembro, com mudanças nas regras para aposentadoria.
Em Buenos Aires, polícia usa balas de borracha e gás lacrimogênio para conter manifestantes que protestam contra votação da reforma da Previdência no CongressoDavid Fernández/EFE/direitos reservados
Venezuela
Vivendo a sua “maior crise política, social e econômica”, com desemprego recorde e protestos nas ruas, a economia venezuelana termina o ano com uma inflação de mais de 2.000%, segundo cálculos do Parlamento. O país atravessa uma grave escassez de alimentos, remédios e outros produtos básicos e aumento quase diário dos preços. Com uma questionada Assembleia Constituinte instalada em agosto, presos políticos e a Justiça controlada pelo governo, o Parlamento é o único poder do Estado venezuelano controlado pela oposição. Por conta da falta de liberdades democráticas, a Venezuela está suspensa do Mercosul desde dezembro de 2016 e em 2017 sofreu sanções da Organização dos Estados Americanos (OEA), de países da região e da Europa e dos Estados Unidos. Apesar da crise, o presidente Nicolás Maduro já anunciou que buscará a reeleição em 2018.
Venezuelanos lotam as ruas em Caracas após paralisação no metrô por blecauteREUTERS/Marco Bello
Bolívia
O presidente Evo Morales anunciou que disputará o seu quarto mandato consecutivo. Morales visitou o Brasil no começo deste mês de dezembro, quando destacou seu interesse estratégico em fornecer energia aos estados brasileiros que fazem fronteira com a Bolívia. O governante boliviano se referiu também ao interesse mútuo dos dois países de dispor de “uma saída ao Pacífico”, mediante o projeto do Corredor Ferroviário Bioceânico, que atravessaria o Peru, a Bolívia e o Brasil, interligando os países por via férrea desde o Oceano Pacífico até o Atlântico.
O presidente da Bolívia, Evo Morales, discursa durante almoço no Palácio Itamaraty José Cruz/Agência Brasil
Chile
Em dezembro, o candidato conservador Sebastián Piñera venceu as eleições presidenciais contra o aliado da presidente Michelle Bachelet, que encerra seu mandato. Apesar de ser um dos países mais equilibrados economicamente da América do Sul, com desemprego baixo (6,7%), os chilenos cobram garantia do Estado de educação de qualidade, um sistema de saúde confiável, aposentadorias dignas, segurança e bons empregos. Segundo analistas, o Chile segue cotado para tornar-se o primeiro país desenvolvido da América do Sul, devendo fechar 2017 com uma expansão de 1,5% do PIB.
Sebastian Piñera foi eleito presidente do Chile REUTERS/Rodrigo Garrido
Peru
Foi um dos mais afetados pelas revelações da construtora Odebrecht, que quase levaram à destituição do presidente Pedro Pablo Kuczynski. Na véspera do Natal, Kuczynski tomou uma decisão polêmica ao conceder indulto ao ex-presidente e opositor Alberto Fujimori. A medida levou peruanos às ruas e pedidos de demissão de integrantes do governo. Para muitos, o indulto é interpretado como um acordo político.
O ex-presidente Alberto Fujimori pediu perdão aos peruanos Reprodução Agência Reuters
Cuba
O país enfrentou a passagem de violentos furacões, a redução da ajuda de sua aliada Venezuela e a reversão da reaproximação Cuba-EUA, com o endurecimento do embargo dos Estados Unidos. Em novembro, o governo de Donald Trump tornou mais difícil para os americanos viajar e realizar negócios com a ilha, revertendo a política anterior de Obama de estabelecer relações mais amigáveis com Havana. Apesar disso, o crescimento no turismo, transporte, comunicações, agricultura e construção proporcionou uma expansão de 1,6% este ano. E o Parlamento de Cuba adiou em dezembro a transferência histórica de poder de Raúl Castro para um novo presidente, o que só deve ocorrer a partir de abril de 2018.
Colômbia
A celebração do acordo de paz entre o governo da Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que entrou em vigor no final de 2016, trouxe mais segurança e estabilidade. Na sequência, as Farc anunciaram em julho sua transformarão em partido político e disposição de concorrer às eleições. Os conflitos contudo permanecem em algumas áreas e prosseguem as negociações de paz com o Exército de Libertação Nacional (ELN). E, como em outros países, as denúncias da Odebrecht também levaram à prisão de vários políticos e autoridades colombianas em 2017.
Mercosul
Neste ano, as negociações, que já duram 20 anos, do acordo do bloco com a União Europeia (UE) avançaram, e a assinatura está prevista para o início de 2018. O tratado reduz as barreiras comerciais entre os 28 países da UE e os quatro do Mercosul e afetará 90% do comércio entre os dois blocos. O Brasil presidiu o Mercosul durante o segundo semestre de 2017 e, em dezembro, ao final da 51° Cúpula de Chefes de Estado do bloco, em Brasília, transmitiu a presidência pro tempore do grupo para o Paraguai. Em julho, os países do Mercosul assinaram, durante reunião de cúpula, um acordo ampliando suas relações comerciais com a Colômbia.
México
No começo do ano, com a posse de Donald Trump, os mexicanos protestaram veementemente contra a construção de um muro na fronteira. E, apesar da retórica protecionista inicial do republicano, em novembro, os governos do México, dos EUA e do Canadá conseguiram avançar nas negociações para atualizar o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).
Hotel afetado por terremoto no estado de Oaxaca, no MéxicoÁngel Hernández/EFE/Direitos Reservados
O momento mais dramático para o México em 2017 contudo ocorreu em setembro, quando dois fortes terremotos causaram mais de 400 mortes, enormes perdas financeiras e uma reação popular de solidariedade.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, anunciou nesta terça-feira (29), durante visita à 30ª edição da Agrishow, em Ribeirão Preto, a regulamentação do plantio de culturas de ciclo curto — como milho, cana-de-açúcar e soja — nas chamadas faixas de domínio das rodovias sob jurisdição do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-SP), vinculado à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil).
A iniciativa permitirá que produtores rurais que possuem propriedade nas áreas lindeiras às rodovias estaduais possam requerer ao DER-SP a ampliação de suas áreas de cultivo, incorporando parte das faixas de domínio — que têm, em média, 25 metros de largura para cada lado da pista, conforme o trecho, medidos a partir do eixo central da via.
“Tivemos hoje uma série de anúncios importantes em várias frentes de trabalho. É uma agenda extremamente importante, que nos deixa muito satisfeitos e é a nossa forma de homenagear esse agronegócio que é pujante e que faz a diferença no nosso Brasil”, afirmou o governador Tarcísio de Freitas
A secretária da Semil, Natalia Resende, ressaltou que a medida representa um avanço significativo no planejamento estratégico do uso do solo. “Essa regulamentação traz um importante avanço ao integrar segurança viária, preservação ambiental e expansão da produção agrícola. Ao transformar áreas ociosas em áreas produtivas, o Governo de São Paulo contribui para a sustentabilidade do setor rural e para a segurança nas rodovias, estabelecendo um modelo inovador para o uso do solo”, apontou.
“Para os agricultores, a iniciativa representa uma oportunidade de expandir a produção com baixo custo de acesso, desde que atendidas as exigências técnicas e de segurança. A proposta também contribui para a conservação paisagística, além da importantíssima prevenção de incêndios”, destacou Sergio Codelo, presidente do DER-SP.
O objetivo do Governo de SP com a iniciativa é reforçar a segurança no entorno das rodovias, já que as áreas cultivadas funcionam na prática como uma espécie de aceiros, como são chamadas as áreas onde a vegetação é mantida sob controle, no entorno das rodovias, para evitar a propagação de eventuais focos de incêndio.
Segundo a portaria do DER-SP, os produtores deverão submeter um pedido formal ao Departamento para cultivar nas faixas. A autorização será concedida mediante análise técnica e cumprimento das regras estabelecidas.
Após a autorização, o produtor rural deverá arcar com uma tarifa de cerca de R$ 1,8 mil, além de uma remuneração anual proporcional à área cultivada, uma vez que o estado não pode simplesmente ceder o uso sem estabelecer uma contrapartida. O uso não gerará a posse desta faixa, nem qualquer direito real sobre o trecho incorporado à produção, podendo ser revogado a qualquer momento, em caso de descumprimento das normas ou necessidade de intervenções públicas.
O objetivo é estimular a formalização, gerar renda e movimentar a economia local com a inclusão desses profissionais no circuito de contratação pública
Cerca de 50 microempreendedores individuais (MEIs) participaram na noite da última terça-feira, 29 de abril, da apresentação da plataforma Contrata + Brasil, realizada no Escritório Regional do Sebrae-SP em Botucatu. A ação foi promovida em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do município, com o objetivo de ampliar o acesso dos pequenos negócios ao mercado de compras públicas.
Durante o encontro, os participantes conheceram a plataforma do Governo Federal, que permite que MEIs se cadastrem e ofereçam seus serviços diretamente a órgãos públicos, como a Prefeitura, de forma totalmente digital e gratuita. A ferramenta já está ativa em Botucatu, mas ainda é pouco conhecida entre os empreendedores locais.
A apresentação mostrou como funciona o processo de credenciamento, quais documentos são necessários, como identificar oportunidades abertas e como enviar propostas para prestação de serviços ao poder público — tudo feito de forma simples e online.
O foco são MEIs que atuam em áreas como manutenção predial, elétrica, hidráulica, pintura, jardinagem, carpintaria, serralheria, manutenção de equipamentos e pequenos reparos. O objetivo é estimular a formalização, gerar renda e movimentar a economia local com a inclusão desses profissionais no circuito de contratação pública.
Para Victor Eburneo, líder operacional regional do Sebrae-SP em Botucatu, a iniciativa está diretamente conectada à missão da instituição. “O Contrata + Brasil representa uma oportunidade concreta para que o MEI entre no mercado das compras públicas, com menos burocracia e mais acesso. Ao facilitar esse processo, o Sebrae-SP apoia o crescimento dos pequenos negócios e estimula o desenvolvimento econômico local, promovendo mais formalização e circulação de renda dentro da própria cidade.”
O secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Botucatu, Marcos Aurélio Ribeiro Martins, também destacou a importância do evento para dar visibilidade à ferramenta. “Muitos empreendedores ainda não sabem que podem prestar serviços diretamente à Prefeitura por meio da plataforma. Esse encontro serviu para mostrar, de forma prática, como funciona o sistema e como eles podem se beneficiar dele.”
A expectativa é de que novos encontros como este sejam realizados em breve, com o objetivo de capacitar ainda mais empreendedores e ampliar a base de fornecedores locais nos contratos públicos.
Levantamento com base em 40 mil empresas aponta retração em gastos com alimentação
A Caju, empresa de tecnologia especializada em multissoluções para gestão de RH, identificou uma retração significativa nos gastos com alimentação durante o feriado da Páscoa. Com base nas transações realizadas por colaboradores de mais de 40 mil empresas atendidas, o ticket médio individual caiu de R$ 97, em 2024, para R$ 65 neste ano – queda de 33%. O volume total movimentado também recuou 42%, passando de R$ 61,5 milhões para R$ 35,4 milhões entre os períodos de 29 a 31 de março de 2024 e 18 a 20 de abril de 2025.
Segundo a empresa, o principal fator para a queda foi o calendário: em 2024, a Páscoa coincidiu com o fim do mês e o pagamento dos salários, enquanto em 2025 ocorreu no meio de abril, quando os saldos disponíveis tendem a ser menores. Os recuos mais expressivos ocorreram nas categorias relacionadas à alimentação, como vale-alimentação (VA) e vale-refeição (VR).
Nas lojas de doces e chocolates, o ticket médio caiu de R$ 86 para R$ 68 (–21%), e o valor total transacionado no período despencou 53%, de R$ 726 mil para R$ 344 mil. Estabelecimentos como mercearias – líderes em transações neste ano – também registraram forte retração no ticket médio, de R$ 122 para R$ 72 (–41%).
Por outro lado, os gastos realizados por meio dos produtos de Premiações e Despesas da Caju cresceram, apontando para um uso mais recorrente de verbas corporativas voltadas a incentivos e reembolsos pontuais.
Recorte regional – O Sudeste concentrou o maior número de transações em 2025, com 383 mil operações, mas registrou um dos menores tickets médios, de R$ 65. O Sul teve o maior valor por colaborador, com ticket médio de R$ 75 em 120 mil transações. No Centro-Oeste e no Nordeste, os valores médios ficaram em R$ 60 e R$ 56, respectivamente. O Norte teve o menor ticket do país: R$ 52.
No recorte por estados, São Paulo apresentou ticket médio de R$ 66, seguido pelo Rio de Janeiro, com R$ 65. No segmento de lojas de doces e chocolates, os tickets médios mais elevados foram registrados no Maranhão (R$ 156), Roraima (R$ 117) e Mato Grosso (R$ 115), apesar de apresentarem menor volume de transações – o que indica um consumo mais concentrado em faixas de valor mais alto.