Quando eu estava na ativa, costumava dizer para os meus colegas: O professor ensina muito mais pelo exemplo que dá do que pelo conteúdo que transmite. Se alguém me contestava discordando – Então o professor não precisa conhecer o conteúdo de sua matéria? – eu explicava: Que exemplo pode dar um professor que não conhece o conteúdo de sua disciplina? Só pode ser exemplo de incompetência, irresponsabilidade e outras coisas ruins. E esse conceito vale para qualquer tipo de atividade. Imaginem um técnico de futebol que exige o máximo de seus atletas, se ele próprio faz corpo mole nos treinamentos.
Imaginem o diretor de uma empresa que exige pontualidade de seus funcionários, se ele próprio não tem hora certa para chegar à empresa. Imaginem o pastor de uma igreja que exige uma vida regrada, honesta e comprometida com a fé, se ele próprio tem uma vida fora dos padrões que prega. Não funciona.
Essa história do façam o que eu digo, não façam o que eu faço não funciona. É bola furada. O aluno não aprenderá o que deveria, os jogadores não se empenharão como deveriam, os funcionários não se esforçarão para serem pontuais e os fiéis não serão tão fiéis. A questão está no exemplo. Sempre foi assim. A não ser que o autoritarismo e a violência imperem, gerando o medo nas pessoas. Mas aí os problemas são outros e muito maiores.
E por falar no exemplo, estou muito preocupado, nos últimos tempos. É que eu quero viver a minha velhice na mais absoluta paz e tranquilidade. Faço questão de não me envolver nas questões políticas. Com o radicalismo que impera em nosso país, a verdade é a maior prejudicada. Não existe a verdade da direita ou a verdade da esquerda. Ou é verdade ou não é. O resto, no mínimo, é radicalismo, que cria uma verdade própria. E vejam que não estou dizendo que é desonestidade ou má fé. O radicalismo não tem explicações racionais. Tudo se processa – não importa se é direita ou esquerda – numa visão caolha da realidade. Uma visão distorcida.
E as nossas autoridades embarcam nessa, ou até estimulam isso, porque lhes convém. É melhor que esses radicais briguem por elas. Os radicais podem se ferir, mas elas não. Vão dizer que nada têm a ver com aquilo. E é esse o exemplo que ‘ensina’ à população. O importante é ser radical, dizem. Os que não forem, já são classificados como ‘isentões’. E ser isento, nesse caso, não é ser imparcial. O sentido é pejorativo. O sentido é ser mole, alienado, desinteressado… E por aí vai.
É o exemplo dos grandões. Péssimo exemplo.
BAHIGE FADEL